Cogumelo reishi (Ganoderma lucidum), auditado ensaio a ensaio
Cada ensaio humano com Ganoderma lucidum, com dose, duração e população. O que o reishi foi medido a alterar, o que não foi, e quem não deve tomá-lo.

Reishi benefícios são mais estreitos do que a primeira página de resultados sugere. O Ganoderma lucidum foi testado em pessoas sobretudo em doentes e não em pessoas saudáveis, e o que esses ensaios mediram foi específico: subpopulações de linfócitos T e pontuações de qualidade de vida de Karnofsky em doentes oncológicos já a fazer quimioterapia, escalas de fadiga e de bem-estar em doentes com diagnóstico de neurastenia, e valores de glicose, de lípidos e de composição corporal em pessoas com diabetes tipo 2. Uma meta-análise de 2025, que agregou dezassete ensaios aleatorizados em 971 pessoas, classificou como muito baixa a certeza de cada um dos desfechos agregados.
Quando se pergunta reishi para que serve, ou para que serve o cogumelo reishi, a maioria das páginas responde com culturas de células e com ratinhos para efeitos que descreve em pessoas. Esta página lista os ensaios humanos um a um, com a dose, a duração, a população e os braços que nada encontraram, e nomeia depois duas revisões Cochrane que concluíram contra o uso. Responde também à pergunta que quem compra para a rotina noturna está de facto a fazer, que é se o reishi é um sedativo. Não é. O que é afinal um adaptogénio pertence à nossa página de definição.
Como ler uma alegação sobre reishi antes de acreditar nela
Quase todas as alegações sobre os benefícios do cogumelo reishi falham num de seis pontos. Cada ensaio abaixo é descrito à luz dos seis, e pode aplicá-los ao próximo rótulo que tiver na mão.
Que parte do fungo foi usada. O Ganoderma lucidum é vendido como corpo frutífero seco, como micélio cultivado sobre cereal e como pó de esporos partidos. São materiais quimicamente diferentes, e um ensaio sobre um deles nada diz sobre os outros.
Como foi extraído. A água quente extrai os polissacáridos, incluindo os beta-glucanos. O etanol extrai os triterpenos, os ácidos ganodéricos e lucidénicos que dão ao reishi o seu amargor. Um extrato de solvente único dá-lhe uma das famílias e falha em larga medida a outra, e é por isso que o método de extração decide o que está dentro da cápsula.
O que havia no material. O capítulo sobre o Ganoderma lucidum da obra de referência do NIH Bookshelf, Herbal Medicine: Biomolecular and Clinical Aspects, relata levantamentos de produtos comerciais em que o teor de triterpenos variou entre indetetável e 7,8 por cento e o teor de polissacáridos entre 1,1 e 5,8 por cento. Indetetável é a palavra sobre a qual convém demorar-se.
A dose efetivamente administrada. Nos dezassete ensaios da meta-análise de 2025, as doses diárias foram de 200 mg a 11 200 mg. É uma amplitude de cinquenta e seis vezes. Um resultado obtido com 3 g de extrato nada tem a dizer sobre 250 mg de pó.
Quem participou no ensaio. A grande maioria dos participantes eram doentes com cancro, com diabetes tipo 2 ou com um diagnóstico psiquiátrico, recrutados na China, em Hong Kong ou na Austrália. Os adultos europeus saudáveis estão quase ausentes desta literatura.
O que não foi medido. Nos cinco ensaios aleatorizados em oncologia agregados pela Cochrane, nenhum registou a sobrevivência a longo prazo. Essa ausência é mais informativa do que qualquer um dos marcadores que foram registados.
O que é afinal o Ganoderma lucidum
O que é o reishi? É o nome japonês do fungo Ganoderma lucidum. Lingzhi é o nome chinês da mesma coisa, e é por isso que os rótulos trazem ling zhi reishi, lingzhi reishi e reishi ganoderma lucidum indistintamente. Cresce como um corpo duro em forma de rim sobre madeira dura, com uma superfície superior lacada que parece envernizada. É lenhoso e não carnudo, pelo que ninguém o come e todos os produtos são um extrato, um pó ou uma decocção.
O interesse assenta em duas famílias químicas. Os polissacáridos são açúcares grandes e ramificados, na maior parte beta-glucanos com base em glicose, e são o que a extração por água quente recupera. Os triterpenos são moléculas mais pequenas e lipossolúveis, e desta espécie foram descritas mais de cem com estrutura definida, das quais cerca de metade lhe são exclusivas. O etanol recupera essas. Um extrato duplo passou pelas duas etapas, e é uma afirmação técnica cuja prova pode exigir a um vendedor.
| Forma | O que é | O que costuma conter | O senão |
|---|---|---|---|
| Pó de corpo frutífero seco | corpo frutífero moído, sem etapa de extração | material inteiro, baixa concentração de ambas as famílias | a quitina lenhosa é pouco digerível, pelo que muito fica retido |
| Extrato de água quente | decocção, concentrada e seca | beta-glucanos e outros polissacáridos | triterpenos em larga medida ausentes, e por isso falta o amargor |
| Extrato de etanol ou duplo | etapa com solvente, isolada ou após a água | triterpenos, ou ambas as famílias | mais caro, e raramente quantificado no rótulo |
| Micélio cultivado sobre cereal | filamentos fúngicos cultivados em arroz ou aveia | variável, mais amido residual do cereal | o cereal é pesado junto, pelo que a fração de cogumelo pode ser pequena |
| Pó de esporos partidos | esporos moídos do corpo frutífero maduro | lípidos e triterpenos | o MSKCC nota que o pó de esporos pode elevar o marcador tumoral CA72-4 |
Se um rótulo indica apenas os miligramas, e não a parte, o solvente e a padronização, quase nada lhe disse. Peça os três antes de comparar dois frascos pelo preço.
Reishi benefícios: o que os ensaios em adultos saudáveis mediram
Existe um ensaio aleatorizado cuidadoso com reishi em pessoas saudáveis, e é justamente o que as páginas sobre reishi saltam. Wachtel-Galor, Tomlinson e Benzie (2004), no British Journal of Nutrition, conduziram um estudo cruzado, em dupla ocultação e controlado por placebo, em 18 adultos saudáveis com idades entre os 22 e os 52 anos. Os participantes tomaram 1,44 g por dia de uma preparação comercial encapsulada de Lingzhi, indicada como equivalente a 13,2 g de cogumelo fresco, durante quatro semanas.
Mediram o estado antioxidante, marcadores de risco coronário, danos no ADN, estado imunitário, marcadores inflamatórios e painéis hepático e renal. Não foi encontrada alteração significativa em nenhuma das variáveis. Surgiu uma ligeira tendência para lípidos mais baixos, e a capacidade antioxidante medida na urina aumentou. Os autores apresentaram a ausência de toxicidade hepática, renal e no ADN como o achado tranquilizador, e apelaram a ensaios de intervenção controlados em pessoas que tenham de facto algo a corrigir.
O mesmo grupo de Hong Kong fez exatamente isso a seguir. Chu e colegas, no British Journal of Nutrition em 2011, deram a mesma dose diária de 1,44 g a 23 adultos avaliáveis com elevações limítrofes da pressão arterial ou do colesterol, num desenho cruzado ao longo de dois períodos de doze semanas. O IMC, a pressão arterial, a capacidade antioxidante, as subpopulações de linfócitos, as catecolaminas urinárias e a razão cortisol sobre cortisona não se moveram. A insulina plasmática e o HOMA-IR subiram menos com Lingzhi do que com placebo, e essa diferença não foi estatisticamente significativa. Apenas no primeiro período de tratamento, os triacilgliceróis desceram 8 por cento e o colesterol HDL subiu 24 por cento, mas um efeito de arrastamento significativo impediu que o segundo período o confirmasse.
Dois ensaios, um negativo e outro quase todo negativo, na população a que pertence de facto a maioria de quem compra reishi. É esta a base honesta, e tudo o que se segue tem de ser lido contra ela.
Os ensaios em doentes, um a um
| Ensaio | População | Dose e duração | Medido | Resultado |
|---|---|---|---|---|
| Jin et al. 2016, revisão Cochrane | 373 doentes oncológicos em cinco ensaios aleatorizados | variável, de um a três meses | resposta tumoral, subpopulações de linfócitos T, atividade NK, pontuação de Karnofsky | resposta tumoral RR 1,50, IC 0,90 a 2,51, não significativa; CD3 mais 3,91 por cento, CD4 mais 3,05 por cento, CD8 mais 2,02 por cento; nenhum ensaio registou a sobrevivência |
| Tang et al. 2005, Journal of Medicinal Food | 132 doentes chineses com diagnóstico de neurastenia | 1 800 mg de extrato de polissacáridos três vezes ao dia, 8 semanas | gravidade na Clinical Global Impression, escalas visuais analógicas de fadiga e de bem-estar | a pontuação de fadiga desceu 28,3 por cento contra 20,1 por cento com placebo; 51,6 por cento foram classificados como mais do que minimamente melhorados contra 24,6 por cento |
| Klupp et al. 2015, revisão Cochrane | 398 participantes em cinco ensaios, com dados analisáveis de três | de 1,4 g a 3 g por dia, 12 a 16 semanas | HbA1c, glicose, lípidos, pressão arterial, IMC | nenhuma alteração clínica ou estatisticamente significativa na HbA1c, no colesterol total, no LDL ou no IMC |
| Klupp et al. 2016, Scientific Reports | 84 adultos com diabetes tipo 2 e síndrome metabólica | 3 g por dia, 2 240 mg de extrato mais 740 mg de esporos, 16 semanas | HbA1c e glicose em jejum como desfechos primários | diferença na HbA1c de 0,13 por cento, IC de menos 0,35 a 0,60, p 0,60; nenhuma alteração em qualquer desfecho secundário |
| Jafari et al. 2025, Food Science and Nutrition | 971 participantes em 17 ensaios aleatorizados | de 200 mg a 11 200 mg por dia, de 1 a 24 semanas | vinte índices de saúde | alteraram-se o IMC, a creatinina, a glutationa peroxidase e a frequência cardíaca; certeza classificada como muito baixa em todos os desfechos |
O cancro, e o que a revisão Cochrane concluiu de facto
Esta pergunta tem peso real em alemão, onde se escreve reishi bei krebs, e merece uma resposta direta. Jin, Ruiz Beguerie, Sze e Chan publicaram em 2016 uma revisão Cochrane que agregou cinco ensaios aleatorizados em 373 doentes oncológicos. Quando o reishi foi acrescentado à quimioterapia ou à radioterapia, a taxa de resposta tumoral foi mais elevada, com um risco relativo de 1,50 e um intervalo de confiança de 0,90 a 2,51, que atravessa o um e portanto não é um resultado significativo. Usado isoladamente, os revisores descreveram o efeito antitumoral como negligenciável. As subpopulações de linfócitos T subiram dois a quatro pontos percentuais. As pontuações de desempenho de Karnofsky foram relativamente melhores.
Os revisores concluíram que não encontraram evidência suficiente para justificar o Ganoderma lucidum como tratamento oncológico de primeira linha, e que só deveria ser considerado como complemento dos cuidados convencionais. Todos os participantes eram chineses, as amostras eram pequenas e a aleatorização era muitas vezes pouco clara. Os efeitos adversos foram mínimos e limitaram-se a náuseas e insónia. Se está a ser tratado a um cancro, esta é uma conversa para o seu oncologista, e os riscos de interação estão indicados mais abaixo.
A fadiga, e o único ensaio que toda a gente cita
Tang e colegas (2005) é o estudo por detrás de quase todas as alegações sobre reishi e energia. Aleatorizou 132 doentes chineses com diagnóstico de neurastenia pela CID-10 para um extrato de polissacáridos, o Ganopoly, a 1 800 mg três vezes ao dia, ou para placebo, durante oito semanas. Em 123 doentes avaliáveis, a pontuação de sensação de fadiga desceu 28,3 por cento face ao início contra 20,1 por cento com placebo, e 51,6 por cento do grupo do extrato foram classificados como mais do que minimamente melhorados contra 24,6 por cento com placebo.
Leia o desenho antes de ler os números. São 5,4 g por dia de um extrato de polissacáridos comercial específico, em doentes com um diagnóstico, em escalas subjetivas, há vinte e um anos, e nunca replicado. O grupo do placebo também melhorou um quinto. É uma razão para fazer um ensaio maior em adultos saudáveis. Ninguém o fez.
O reishi e o sono, e porque acalmar não é sedar
O reishi é vendido para a rotina noturna mais do que qualquer outro produto, e por isso é preciso dizê-lo com clareza: nenhum ensaio humano mostrou o reishi a atuar como sedativo, e nenhum ensaio humano mediu sequer a arquitetura do sono com ele. A revisão Cochrane em oncologia lista insónia, e não sonolência, entre os efeitos adversos relatados.
Os achados do tipo sedativo que circulam vêm de trabalho em animais. Yao e colegas (2021), na Scientific Reports, deram a ratinhos 25 a 100 mg por quilo de uma fração ácida de um extrato alcoólico de micélio de Ganoderma lucidum durante 28 dias e relataram menor latência do sono e maior tempo de sono nos animais tratados com pentobarbital, a par de alterações na sinalização serotoninérgica hipotalâmica e nas bactérias intestinais. Trata-se de um ratinho, de um anestésico administrado em simultâneo e de uma fração de micélio. Não se transfere para uma pessoa que toma uma cápsula.
O que se pode dizer honestamente é isto. A classificação tradicional chinesa do lingzhi coloca-o entre os materiais calmantes e não entre os estimulantes, e isso é uma afirmação sobre um texto e não sobre um corpo. O único sinal humano que aponta para o estado sentido são as escalas de fadiga e de bem-estar do ensaio na neurastenia, numa dose muito alta, em doentes. Não há razão farmacológica para evitar tomar reishi à noite, não há evidência de que a noite funcione melhor do que a manhã, e não há base para esperar que lhe dê sono. Se o quer numa rotina noturna porque é a essa hora que se lembra de tomar as coisas, é uma razão perfeitamente boa.
A combinação noturna, e o que nunca foi testado em conjunto
Uma cápsula de reishi vermelho, shiitake e shilajit junta três materiais com três bases de evidência bastante diferentes, e a posição honesta é que nenhum ensaio testou a combinação.
O shiitake, Lentinula edodes, tem um ensaio humano bem conduzido que vale a pena nomear. Dai e colegas (2015), no Journal of the American College of Nutrition, fizeram com que 52 adultos saudáveis com idades entre os 21 e os 41 anos comessem 5 g ou 10 g de shiitake seco inteiro por dia durante quatro semanas e mediram a proliferação de linfócitos T gama delta, células NK-T, IgA salivar e PCR. Repare na dose: 5 000 a 10 000 mg de cogumelo inteiro. Uma fração de 250 mg numa cápsula não está a repetir essa experiência, e o shiitake entra na mistura como cogumelo culinário de carácter suavemente salgado, e não como o ativo de um ensaio.
O shilajit é o terceiro componente, e os seus ensaios humanos estão auditados no nosso artigo sobre para que serve o shilajit. A ashwagandha, a outra companhia noturna habitual, tem a evidência sobre o eixo do stress tratada em ashwagandha e cortisol, e a juba de leão, a contraparte diurna habitual, em benefícios da juba de leão. Nenhuma dessas páginas lhe pode dizer o que faz a combinação, porque ensaios de combinação não existem. Combinar é uma decisão de conveniência e não uma decisão baseada em evidência, e um vendedor que chama sinérgica a uma combinação está a descrever uma esperança.
O chá de reishi, e se a preparação tradicional é diferente
O chá de reishi aparece com frequência suficiente para merecer resposta própria, e a resposta é química. Uma decocção, fatias do corpo frutífero fervidas em água durante uma hora, é uma extração por água quente feita na sua cozinha. Recupera razoavelmente bem os polissacáridos e mal os triterpenos, e é por isso que um chá de reishi preparado à moda tradicional é menos amargo do que um extrato forte de etanol. Nenhum ensaio usou uma decocção caseira, pelo que todos os números acima se aplicam a uma preparação comercial padronizada e não ao seu tacho. Trate o chá de reishi como uma bebida de que gosta e não como uma dose que possa quantificar.
Reishi contraindicações e reishi efeitos secundários: quem não deve tomar
A base de evidência são duas revisões Cochrane que concluíram contra o uso para as perguntas que fizeram, um ensaio negativo em adultos saudáveis, um ensaio quase todo negativo em adultos com fatores de risco limítrofes, um ensaio positivo em doentes com um diagnóstico psiquiátrico numa dose muito alta, e uma meta-análise de 2025 que classificou como muito baixa a qualidade da evidência em todos os desfechos que agregou. Ao abrigo do Regulamento (CE) 1924/2006, nenhuma alegação de saúde para o Ganoderma lucidum está autorizada na União Europeia, e as alegações botânicas correspondentes estão na lista em suspenso de cerca de 1 548 alegações que a Comissão e a EFSA nunca resolveram. Uma página que lhe diga que o reishi atua sobre uma condição está a fazer uma alegação que não lhe é permitido fazer.
As exclusões concretas importam mais do que qualquer lista de benefícios.
Lesão hepática com reishi em pó. O LiverTox, a referência do NIH sobre lesão hepática associada a medicamentos, atribui ao reishi uma pontuação de probabilidade D, causa rara possível de lesão hepática clinicamente aparente. Os casos relatados são hepatocelulares, começam tipicamente ao fim de um a dois meses, e envolvem quase todos preparações em pó e não extratos. Incluem uma mulher de 78 anos na China em 2004 que recuperou ao longo de cinco meses, um caso no Japão em 2021 que se resolveu com a suspensão, e um caso fatal na Tailândia em 2007, uma mulher de 47 anos que tomava 200 mg de pó por dia, desenvolveu icterícia aos dois meses e morreu de necrose multilobular. Uma morte é uma morte, e é uma a mais do que a literatura de eficácia estabeleceu com firmeza.
Medicação anticoagulante e antiagregante. O Memorial Sloan Kettering lista o reishi como aumentando o risco hemorrágico com a varfarina e fármacos semelhantes. Não existe nenhum ensaio formal de interação, pelo que a atitude correta é perguntar ao seu médico ou farmacêutico antes de começar, e não adivinhar.
Outra medicação prescrita. Em trabalho laboratorial, os polissacáridos do reishi inibiram a CYP2E1, a CYP1A2 e a CYP3A, as enzimas que eliminam uma grande parte dos medicamentos prescritos. O significado clínico é desconhecido, e é por isso que a pergunta é para um farmacêutico.
Monitorização em tratamento oncológico. O pó de esporos pode elevar o marcador tumoral CA72-4, o que pode confundir a monitorização durante os cuidados oncológicos. Informe a sua equipa de oncologia sobre tudo o que toma.
Gravidez e amamentação. Não testado. Evitar.
Crianças. Não testado. Não é para elas.
Doenças autoimunes e medicação imunossupressora. O reishi é tomado precisamente pelo efeito que lhe é atribuído sobre marcadores imunitários, e ninguém o estudou em pessoas cuja resposta imunitária está a ser deliberadamente suprimida. Fale primeiro com o seu especialista.
As queixas comuns nos ensaios são náuseas, boca seca, obstipação, vertigens e insónia. Na revisão Cochrane em doença cardiovascular, os participantes que tomaram reishi durante quatro meses tiveram 1,67 vezes mais probabilidade de relatar um efeito adverso do que os do placebo, embora nenhum tenha sido grave.
Então, vale a pena tomar reishi?
Três coisas o decidem, e nenhuma delas é uma lista de benefícios. Primeira, se aceita uma base de evidência cujas duas revisões sistemáticas concluíram ambas contra o uso, e cuja maior meta-análise classifica todos os desfechos como de certeza muito baixa. Segunda, se o frasco que tem à frente indica a parte do fungo, o solvente de extração e a padronização, porque sem esses três o número de miligramas na frente não se compara com nada. Terceira, se toma medicação prescrita, caso em que as perguntas sobre interações acima vêm antes de qualquer pergunta sobre benefício.
Se essa versão da resposta lhe basta, o reishi é uma coisa razoável para experimentar com expectativas modestas. As nossas cápsulas de reishi vermelho, shiitake e shilajit são vendidas exatamente nessa base: o que está lá dentro, dito com clareza, sem promessa nenhuma associada. Se ainda está a decidir quanto tempo dar a um suplemento antes de concluir se faz alguma coisa, quanto tempo o shilajit demora a fazer efeito expõe o mesmo raciocínio para outro material, e aplica-se também aqui.
Da loja
Perguntas
Para que serve o cogumelo reishi?
Nos ensaios humanos publicados, o Ganoderma lucidum foi dado sobretudo a doentes e não a pessoas saudáveis, e os desfechos medidos foram estreitos: subpopulações de linfócitos T e pontuações de qualidade de vida de Karnofsky em doentes oncológicos já a fazer quimioterapia ou radioterapia, escalas de fadiga e de bem-estar em doentes com diagnóstico de neurastenia, e valores de glicose e de lípidos em pessoas com diabetes tipo 2. Uma meta-análise de 2025 sobre dezassete ensaios aleatorizados classificou como muito baixa a certeza de todos os desfechos agregados. É esta a resposta honesta, na íntegra.
O que faz o reishi no corpo?
O único ensaio aleatorizado em adultos saudáveis que mediu um painel alargado de marcadores não encontrou alteração significativa em nenhum deles. Wachtel-Galor e colegas deram a 18 adultos saudáveis 1,44 g de Lingzhi por dia durante quatro semanas, num desenho cruzado, e não relataram alteração no estado antioxidante, nos danos no ADN, no estado imunitário nem nos marcadores inflamatórios, nem qualquer sinal de toxicidade hepática ou renal. Nos doentes, as alterações relatadas foram em valores laboratoriais e em pontuações de questionário, e não naquilo que alguém disse sentir no dia a dia.
O reishi é um sedativo, e posso tomá-lo à noite?
O reishi não é um sedativo. Nenhum ensaio humano o mostrou a atuar sobre a arquitetura do sono, e os efeitos do tipo sedativo mais citados vêm de ratinhos a quem foi dado um extrato alcoólico juntamente com pentobarbital. A revisão Cochrane do reishi em doentes oncológicos lista aliás a insónia entre os efeitos adversos relatados. Não há razão farmacológica para evitar tomá-lo à noite, e não há evidência de ensaio de que a noite seja melhor do que a manhã.
Qual é a diferença entre reishi e lingzhi?
Nenhuma. Reishi é o nome japonês e lingzhi, também escrito ling zhi, é o nome chinês do mesmo fungo, o Ganoderma lucidum. As fontes chinesas e japonesas mais antigas usam ambos os nomes para material que a taxonomia moderna entretanto separou em várias espécies de Ganoderma muito próximas, pelo que um frasco rotulado lingzhi reishi e um frasco rotulado reishi ganoderma lucidum podem não conter material idêntico.
Há evidência para o reishi no cancro?
A revisão Cochrane de 2016 agregou cinco ensaios aleatorizados em 373 doentes oncológicos e chegou a uma conclusão clara: não encontrou evidência suficiente para justificar o Ganoderma lucidum como tratamento oncológico de primeira linha. Os doentes que o receberam juntamente com quimioterapia ou radioterapia tiveram uma taxa de resposta tumoral mais elevada que não atingiu significado estatístico, e nenhum dos cinco ensaios registou sequer a sobrevivência a longo prazo. O tratamento do cancro é assunto para um oncologista, não para um suplemento alimentar.
Quais são os efeitos secundários e os perigos do reishi?
Os ensaios relatam náuseas, boca seca, obstipação, vertigens e insónia. A preocupação séria é o fígado: o LiverTox regista vários casos de lesão hepatocelular, quase todos com reishi em pó e não com extrato, incluindo um caso fatal na Tailândia em 2007, numa mulher que tomava 200 mg por dia. O reishi está também listado como aumentando o risco hemorrágico com anticoagulantes como a varfarina. Quem tome medicação prescrita deve falar com um médico ou farmacêutico antes de começar.
Fontes
- Ganoderma lucidum (Reishi mushroom) for cancer treatment
- Ganoderma lucidum (Lingzhi), a Chinese medicinal mushroom: biomarker responses in a controlled human supplementation study
- A double-blind, randomised, placebo-controlled trial of Ganoderma lucidum for the treatment of cardiovascular risk factors of metabolic syndrome
- The Nutritional Significance of Ganoderma lucidum on Human Health: A GRADE-Assessed Systematic Review and Meta-Analysis of Clinical Trials
- Lingzhi, Reishi
- Reishi Mushroom, About Herbs
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